Pesquisa em Maceió aponta rejeições de Dilma (76%), Rui Palmeira (47%) e Renan Filho (33%)



É válido ressaltar: pesquisa é um retrato de momento. Uma fotografia. Não significa um quadro consolidado até porque a opinião pública pode mudar muito rápido. O furo de reportagem de Volney coloca uma pulga na orelha de muitos políticos.
Em relação às rejeições e o quanto a opinião pública é volátil, o maior exemplo é a presidente Dilma Rousseff: eleita em 2014 em uma disputa apertada contra o senador Aécio Neves (PSDB), ela despencou de forma surpreendente na avaliação feita em todo o país. Maceió apenas seguiu a tendência.
Dos três personagens avaliados, o que mais tem motivos para ligar o sinal de alerta e trabalhar para reverter os números do Ibrape é o prefeito Rui Palmeira. O chefe do Executivo municipal já tem que se preparar para enfrentar o calendário antecipado do processo eleitoral. De acordo com os números da pesquisa, não será um trabalho fácil. Palmeira deve enfrentar uma eleição mais dura – segundo os números – do que a de 2012, quando se elegeu prefeito ainda no primeiro turno.
O Ibrape ouviu pessoas em 97 bairros de Maceió entre os dias 4 e 5 deste mês. Foram dois mil entrevistados e a margem de erro – conforme o Instituto – é de 3% para mais ou para menos. Os dados referentes a Rui Palmeira, conforme publicação de Volney Malta, traz uma rejeição ao seu governo de 47% (a soma dos que acham a gestão ruim (17%) com os que acham péssima (30%).
A aprovação de Rui Palmeira se dá da seguinte forma: 2% consideram ótima, 19% afirmam ser uma boa gestão e 31% vê como regular. Quando a pergunta é aprovar ou desaprovar, o índice é o seguinte: 38% de aprovação e 57% de desaprovação. Estes números – e isto deve preocupar o prefeito – mostram um cenário aberto para os adversários, que devem detalhar tais números para saber onde atacar.
O possível principal rival de Rui Palmeira é o deputado federal e ex-prefeito de Maceió, Cícero Almeida (PRTB). Um número que deve animar o parlamentar: apesar de 75% dos entrevistados não saberem ou não opinarem em quem votariam se as eleições fossem hoje, numa pesquisa espontânea Almeida ainda tem um índice de 10,5% de intenções de voto.
Distante da aprovação popular que um dia o deputado do PRTB já teve, mas bem próximo do segundo colocado que é o próprio Rui Palmeira com 7,8%. Numa margem de erro de três pontos percentuais é possível enxergar uma disputa acirrada e até um possível empate técnico.
Em uma das simulações – com menos candidato – Almeida alcançou 25% das intenções e Rui Palmeira ficou com 15%. Para Rui Palmeira, ainda não é momento de discutir eleições. Salientou isto em uma entrevista a este blogueiro recentemente. O prefeito ressalta que neste ano ainda há muitas realizações da Prefeitura Municipal, com obras importantes, como emplacar a reforma da orla lagunar.
Segundo informações de bastidores, são apostas em ações que podem mudar os índices em curto prazo, melhorando os indicadores referentes a Rui Palmeira. O prefeito tem aparecido mais em inaugurações. Tem destacado as intervenções que estão sendo feitos em bairros da parte alta da cidade, por exemplo, e – em breve – pretende recorrer a empréstimos para modernizar a gestão e investir em obras estruturantes.
O prefeito acredita que é cedo para avaliar cenário eleitoral. Tanto é assim que jogou para depois o diálogo com outras siglas partidárias que não aquelas que hoje fazem parte de sua base: o PR, Solidariedade, o PP e o próprio PSDB. As articulações, entretanto, serão inevitáveis: Rui Palmeira deve assumir – com a saída de Marco Fireman da legenda – o comando do PSDB local em Maceió.
Almeida – seu principal rival, conforme pesquisas – enfrenta um problema: a construção de um grupo que viabilize sua candidatura e isto passa por sair do PRTB diante das brigas que teve com o presidente nacional da legenda, Levy Fidelix. O deputado federal não tem o comando da agremiação na qual se encontra e isto pode dificultar sua pretensão para 2016. Mas, ele tenta se viabilizar.
Demais
Quanto à presidente Dilma Rousseff, o quadro de Maceió apenas acompanha o momento nacional. Acuada pela crise política, econômica e ética de seu governo, Dilma Rousseff assiste a corrupção corroer sua administração. A presidente está cada vez mais acuada e sem poder de mando. Deixou um vácuo que foi ocupado pelo PMDB. O partido do senador Renan Calheiros agora sonha em lançar candidato à presidência da República.
Dependente do PMDB, Rousseff teme cada vez mais novas denúncias da Operação Lava-jato ou até mesmo o estourar de novos escândalos que aprofundem ainda mais a crise e leve a concretização de um processo de impeachment. Isto explica por si só a altíssima rejeição que soma 76% (entre os que avaliam seu governo como ruim e péssimo).
Por isto, apenas 1% considera Dilma ótima, 6% boa e 16% regular. Natural do momento vivenciado pelo país onde é grande a multidão que vai às ruas gritar “fora Dilma”.  O pior para Dilma Rousseff é que os escândalos só aumentam.
O blogueiro Volney Malta também traz a avaliação de Renan Filho (PMDB). Um governo de apenas cem dias já tem motivos também para se preocupar. 33% é o número da rejeição (reunindo o ruim e o péssimo). Quando a indagação é sobre a aprovação do governo, os números são os seguintes: 40% de aprovação e 41% desaprovação. Dá o que pensar para o governador que precisa de uma boa avaliação como qualquer governista.
Os demais números de Renan Filho: 2% consideraram ótimo, 18% bom e regular 35%.

Por Lula Vilar
Segunda-Feira, 20 de Abril de 2015

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