DEM, PT e PSDB já planejam ações com mais recursos


Maior repasse aos fundos partidários autorizado por Dilma é bem avaliado em Alagoas pelos presidentes das siglas



Os partidos políticos brasileiros terão, em 2015, um incremento três vezes maior na receita, já que a presidente Dilma Rousseff (PT) sancionou o orçamento de 2015 em que prevê o aumento de recursos previstos para o chamado fundo partidário. Agora, as legendas passarão de R$ 289,5 milhões para R$ 867,5 milhões.
Por conta do momento de ajuste fiscal, a presidente deixou claro que haverá contingenciamento do recurso. O tema divide opiniões quando os presidentes de alguns partidos foram consultados pela reportagem da Tribuna Independente.
José Thomaz Nonô, presidente do Democratas (DEM) explica que a chegada desses recursos será bem-vinda porque vai permitir uma ampliação da atuação partidária. “Se realmente esse recurso chegar nós poderemos fazer um melhor trabalho no interior do Estado. A gente sabe que existem os acidentes de percursos, e sinceramente, eu não me animo. Vamos ver como será na prática”, comentou o Nonô.
O presidente DEM relatou que o fundo partidário do Democratas é usado exclusivamente para manutenção do partido, sem qualquer tipo de patrocínio. “O nosso fundo é usado para custear os programas de TV, rádio, encontros partidários. Não temos gastos com publicações, tudo é para manter minimamente o partido”, declarou.
José Thomaz Nonô lembra ainda que esse aumento sancionado pela presidente não quer dizer que esse dinheiro seja recebido pelos partidos porque ainda será observada a execução orçamentária. No entendimento do democrata, essa aprovação do aumento do fundo partidário foi uma forma que o governo federal encontrou para criar uma pauta positiva para ele mesmo.
Paulão estranha críticas do senador Renan
O deputado federal Paulão, presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) em Alagoas, ressalta que é importante lembrar que o projeto de emenda foi de iniciativa do PMDB e aprovado por unanimidade. “Acho estranho esse posicionamento do presidente do Congresso, isso demonstra que existe uma divisão dentro do PMDB”, argumentou o presidente do partido.
A opinião do deputado federal vai de encontro às declarações do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB) no início da semana em que a presidente Dilma teria cometido um erro ao sancionar o projeto e não vetá-lo porque a discussão aconteceu no meio do orçamento, sem que houvesse debate suficiente sobre o tema. Consultada pela reportagem da Tribuna Independente, a assessoria do presidente do Senado informou que posição de Renan segue a mesma em relação ao fundo partidário.
Paulão diz ainda que o veto à emenda provocaria problemas com a base aliada, por isso, a decisão de Dilma em aprovar esse incremento. “Ainda que tenha sido sancionado, isso não impede que haja esse contingenciamento até porque é preciso ver dentro do orçamento se é possível fazer esse repasse, porque ele foi aprovado com atraso, por conta da oposição, e o governo federal tem outras prioridades, como os programas que ficaram parados por conta do orçamento”, destacou o petista.
Sobre o Partido dos Trabalhadores em Alagoas, o deputado federal Paulão diz que o fundo partidário é de R$ 12 mil por mês e ainda não é possível saber de quanto será esse incremento mediante a aprovação por parte da presidente Dilma Rousseff. De acordo com o petista, com a chegada do recursos a ideia é ampliar a atuação partidária em todo estado, no entanto, o interior teria uma atenção mais especial do partido.
Decisão de Dilma foi apaziguadora
Consultado pela reportagem da Tribuna Independente para analisar a atual conjuntura política acerca do aumento para o fundo partidário, o cientista político Ranulfo Paranhos pontua que o atual governo tem insistido em tomar as piores das decisões, tanto políticas quanto econômicas, de gestão e até mesmo nas relações internacionais.
Em relação ao fundo partidário, Ranulfo avalia que a decisão da presidente Dilma parece ter sido a mais sem bom senso. “Se eu posso evitar uma lei que vai onerar os cofres públicos em tempos de crise econômica, por que eu vou aprovar essa lei e esperar que a boa vontade dos partidos políticos? Isso só pode servir de mau exemplo de como tentar resolver uma crise financeira em um país que não teve crescimento econômico, que a inflação pode atingir a casa dos dois dígitos e que o resultado disso tudo sempre vai ser desemprego, aumento do preço dos produtos e diminuição da qualidade de vida da população mais carente”, analisa.
Segundo Ranulfo, a lei foi aprovada por dois motivos básicos: o primeiro deles é para pagar as contas dos próprios partido do governo, que agora não tem mais credibilidade junto aos financiadores privados, em função da descoberta do esquema de desvio de recursos da Petrobras via empresas privadas. O segundo motivo, aponta Paranhos, segundo é uma tentativa de atender a interesses do PMDB, que também precisa de caixa positivo porque tem contas e também está envolvido no escândalo envolvendo a Petrobras.
“Além do mais, quando o governo aprova uma lei dessas, cujo reajuste foi feito por um senador do PMDB [Romero Jucá], esse mesmo governo está tentando sinalizar com uma estratégia de trégua junto ao PMDB, que vem se sentindo escanteado pelo governo e se comportando como oposição. A lei vai servir economicamente para todos os partidos e ainda pode apaziguar os ânimos entre PMDB e PT”, alertou.
Montante é destinado para as campanhas
Ranulfo Paranhos ressalta que a previsão de quase 900 milhões de reais por ano para o fundo partidário é um alívio para os partidos políticos no Brasil. “Não só o PT, que vai ficar com cerca de 13% desse montante, partidos como o PMDB e até para os partidos de oposição tomam a notícia como positiva”. Ranulfo diz ainda que o eleitor médio brasileiro não perceberá diferença entre a aprovação dessa lei e o momento anterior já que boa parte das verbas de um partido é para campanha.
Pedro Vilela diz que repasse é um absurdo
O deputado federal Pedro Vilela, presidente do PSDB, explicou que como parlamentar pensa que esse incremento ao fundo partidário é absurdo em virtude da situação econômica do país. Apesar de considerar um absuro, o parlamentar garante que vai avaliar junto à executiva se aceita ou não, no entanto, caso o recurso seja bem-vindo, Pedro Vilela vai sugerir que o incremento seja aplicado em seminários para divulgar a ideologia do partido e fortalecer o PSDB.


Por Tribuna Independente

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