Casal vai multar Chesf em R$ 500 mil por prejuízos por mancha no Rio São Francisco

Análises do IMA apontam para culpa da Companhia; ainda não há previsão para desaparecimento da mancha



O Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) divulgou nesta sexta-feira (17) os resultados preliminares feitos em amostras coletadas nas águas do Rio São Francisco após o aparecimento de uma mancha escura. A conclusão inicial aponta para culpa da Companhia Hidrelétrica do Rio São Francisco (Chesf) pela mancha e a Casal quer multar em R$ 500 mil a Companhia pelo prejuízo obtido com a paralisação no abastecimento.
A coletiva que apresentou os dados aconteceu nesta manhã na sede do IMA, no bairro de Bebedouro. Segundo as análises feitas, a mancha foi resultado do acúmulo de algas da espécie Dinoflagelado que estavam alojadas no sedimento do reservatório lago Belvedere, do Complexo Apolônio Sales – Paulo Afonso 1, 2 e 3.
O coordenador de monitoramento e fiscalização do IMA, Ermi Ferreira, explicou que as algas causavam a cor escura e o forte odor nas águas. Ele frisou que a espécie encontrada não é tóxica, mas a água não é adequada para o consumo humano.
“Essa alga vive em água salgada e consome muito oxigênio para sobreviver, o que acabou resultando na morte de algumas espécies de peixes do rio. Ainda não sabemos como ela foi parar no Rio São Francisco. Possivelmente pode ser fruto de algum desequilíbrio ambiental”, disse.
A Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) disse que vai aplicar uma multa de ressarcimento no valor de R$ 500 mil pelos oito dias em que o abastecimento foi afetado em municípios do Sertão. A Companhia afirmou que o valor não leva em consideração os carros pipa colocados para abastecer as cidades nem os gastos tidos para melhorar aqualidade da água.
A Casal solicitou ainda que a Chesf mantivesse vazão de 1300 metros cúbicos por segundo até que essas microalgas sejam diluídas ou retornem ao oceano. Não há previsão de quando a mancha irá desaparecer.
O presidente do IMA, Gustavo Ressurreição, disse que a limpeza feita pela Chesf foi acompanhada por técnicos do IBAMA, mas ainda não é possível afirmar que outros microorganismos ainda estejam nas águas. “O IMA irá penalizar a Chesf, mas o valor da multa só será definido após a conclusão dos laudos. Houve danos socioambientais graves na área, porém ainda não sabemos os danos causados ao rio”, completou.
O acidente deixou oito municípios de Alagoas sem água, já que o líquido que estava chegando às torneiras apresentava uma cor amarelada e cheiro ruim. O Ministério Público Estadual (MPE), através da promotoria do Meio Ambiente, já determinou a abertura de um inquérito civil público para apurar as causas e também estabeleceu o prazo de 10 dias para uma avaliação da água servida à população, saber os pontos críticos e a constatação do dano ambiental.


Por Cada Minuto

Sexta-Feira, 17 de Abril de 2015

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